quarta-feira, 31 de julho de 2013

Marinheiro Hugo Trufelli vai naufragar você. Veja ensaio!
























Suposto caso de agressão em boata gay ganha espaço na mídia

O jovem brasiliense José Lucas, de 18 anos, usou uma rede social para denunciar um suposto caso de agressão na boate OF! Club (Setor de Oficinas Sul) na noite da última sexta-feira 26. A denúncia contra a casa noturna voltada para o público GLS ganhou repercussão na web durante todo fim de semana e virou pauta de telejornais nos últimos dias. Em entrevista ao DFTV 1ª edição de terça-feira 31, ocliente diz ter sido vítima de homofobia.
“O segurança alegou que a gente tinha usado o banheiro várias vezes e que a gente tinha entrado junto no banheiro. E que a gente deveria pagar R$ 50 pra ele por isso. Foi quando eu neguei e disse que era absurdo isso. Afinal de conta, eu tinha pago a entrada da boate então isso daria direito de usar inclusive o banheiro deles. Então ele começou a me insultar”, contou em entrevista ao Balanço Geral (Rede Record)na segunda-feira 29.
José Lucas contou que foi encurralado pelo segurança, que chamou a chefe da equipe e outros três profissionais para resolver o problema. As agressões teriam começado dentro da boate com tapas no rosto e na barriga e terminou somente fora do estabelecimento, onde houveram os golpes ficaram ainda mais violentos,segundo relato.
Um amigo do jovem que não quis se identificar também fez declarações ao jornal: “Ele estava totalmente ferido, todo sujo. Ele estava em estado de choque. Inclusive também fiquei em estado de choque em vê-lo assim”. Um laudo médico do Hospital Regional de Taguatinga confirmou as lesões. O assunto voltou a ser tema no programa local na última quarta-feira 31. Clique aqui para assistir a reportagem com a versão de uma segurança que alega ter sido agredida por José Lucas.
O ParouTudo procurou Múcio Melo, proprietário da OF! Club, para comentar o caso. Abaixo você confere na íntegra nossa conversa com o empresário, que nega versão contada pelo cliente e conta que toda equipe de segurança envolvida no caso está dispensada até tudo ser esclarecido. O caso está sendo investigado pela 17ª Delegacia de Polícia de Taguatinga Norte.
Como você reagiu com a notícia da suposta agressão?
Com muito espanto, pois tudo ocorreu do lado de fora do estabelecimento, e o que chegou a meu conhecimento, logo depois que o rapaz foi retirado da boate, por estar agredindo clientes e criando tumulto na casa, é que, depois de cessada a discussão inicial com a segurança do lado de fora e depois de se recusar a ir embora com um cliente que se dispôs a leva-lo pra casa, o rapaz saiu andando pelo setor, como se tivesse decidido ir embora sozinho e só no dia seguinte através da mídia social é que fiquei sabendo que ele alegava ter sido agredido em nosso estabelecimento.
Minha primeira providência foi substituir toda a equipe e contratar uma empresa especializada, a ONLINE segurança, até que tudo seja esclarecido, pois o mais importante nesse momento é saber o que de fato ocorreu e continuar atendendo nossos clientes com todo o respeito e dedicação de 9 anos de trabalho.
A história contatada pelo cliente é a mesma relatada pelos seguranças a você?
São estórias totalmente diferentes. O segurança do open bar, depois de muito insistir para que ele ficasse calmo e parasse de perturbar os outros clientes, o retirou da área de open bar e não do banheiro como ele alega. A segurança Sandra se manteve o tempo todo do lado de fora da casa e só ficou sabendo que ocorria alguma confusão internamente, depois de o rapaz ter sido retirado do estabelecimento. Ele foi acompanhado por apenas um segurança, João Paulo, que o levou pra fora sem ter em momento algum agredido o rapaz.
Os outros seguranças se mantiveram em seus postos de serviço, porque ninguém imaginava que a situação pudesse se agravar. Eu cheguei a falar com o rapaz na frente da casa e pedi pra que ele fosse embora com o cliente, William Andrade, que se dispôs a leva-lo, mas ele se recusou e até gritou comigo que não queria saber de nada. Entrei na casa e tentei chamar a polícia por cinco vezes, mas a ligação não completou, foi quando retornei à frente da casa e o rapaz não estava mais lá.
Como você vê a cobertura da imprensa sobre o caso?
Os canais da imprensa que divulgaram, em primeira mão, de modo sensacionalista a estória sem se comunicar conosco, foram muito irresponsáveis, pois todo fato, tem pelo menos, duas versões. Fico espantado e pensando que vivo na idade média, pois nos condenaram sumariamente, até agora nada foi apurado e esse rapaz pode, simplesmente ter se metido em alguma confusão com outros clientes ou transeuntes que estavam no setor naquele momento, por tanto, devemos aguardar a apuração dos fatos para que os responsáveis sejam devidamente punidos.
Somos empresários que geram riqueza para o país e não é justo termos anos de trabalho duro estraçalhado por um acontecimento isolado. Estou extremamente abalado com a situação e sugiro que donos de bares boates, etc…se reúnam com o intuito de criarem mecanismos de proteção em suas empresas, pois, pelo que vejo, basta uma acusação para que seus negócios sejam aniquilados do mercado.

Nobel da Paz: “prefiro o inferno a um paraíso homofóbico”

“Prefiro o inferno a um paraíso homofóbico”, diz Nobel da Paz e líder religioso africano. Desmond Tutu, um dos principais ativistas na luta contra o apartheid, participa de campanha internacional da ONU pela comunidade LGBT

O ex-arcebispo da Igreja Anglicana da Cidade do Cabo, Desmond Tutu, um dos principais ativistas dos direitos humanos no continente africano, fez uma importante defesa pelos direitos da comunidade LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Transgêneros) no mundo.

Durante evento na ONU (Organização das Nações Unidas) na África do Sul em defesa da diversidade sexual, Tutu, vencedor do Prêmio Nobel da Paz em 1984 por sua atuação contra o apartheid, afirmou que prefere “o inferno do que um paraíso homofóbico”.

“Eu não veneraria um Deus que fosse homofóbico e é assim que me sinto para falar sobre isso”, afirmou. “Eu me recusaria a entrar em um paraíso homofóbico. Chegaria lá e diria: ‘sinto muito’, prefiro ir para ‘o outro lugar’”. Tutu também fez pesadas críticas a religiões e líderes espirituais que discriminam pessoas por suas opções sexuais.

O evento, ocorrido na última sexta-feira (26/07) na Cidade do Cabo, contou também com a presença do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e da alta comissária para os direitos humanos, Navi Pillay, no lançamento de uma campanha em defesa da comunidade LGBT pelo mundo. Pillay lembrou que 76 países criminalizam as relações entre pessoas do mesmo sexo. As punições, nesses locais, variam desde sentenças de prisão à execução, o “que se constitui em clara violação aos direitos humanos básicos”.

Por que os gays ainda são hostilizados por parte da sociedade?

A comunidade gay, mesmo em tempos de avanços na sociedade e amplo acesso à informação, ainda vive sob o jugo da violência e da discriminação. Embora os homossexuais tenham uma trajetória de lutas que garantiram vitórias significativas - como, por exemplo, a decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que, em maio, determinou a conversão de união estável homoafetiva em casamento -, a intolerância ainda assusta e mata.

Relatório divulgado pela Secretaria de Direitos Humanos (SHD) no final de junho revelou que, em 2012, os casos de violação - violência física, psicológica e discriminatória - contra os homossexuais cresceram 46,6% no país, passando de 6.809 casos em 2011 para 9.982 no ano passado. Mas esses números podem ser ainda mais assustadores, de acordo com o antropólogo Luiz Mott, militante e fundador do Grupo Gay da Bahia. Para Mott, os dados do SDH são "incompletos" e "subnotificados". "Até fevereiro de 2013, o nosso site - 'Homofobia mata' - contabilizou 338 assassinatos, enquanto o governo divulgou 311 homicídios até junho", criticou Mott.
 
Para abordar a questão além das estatísticas, o BOL conversou com especialistas que discutiram por que a homofobia ainda é tão presente na nossa sociedade, quem são os homofóbicos e o que mudou na história marcada por ódio e intolerância.
 

Afinal, quem são os homofóbicos?

Para Carmita Abdo, psiquiatra, professora de Medicina Sexual e coordenadora do ProSex (Programa de Estudos em Sexualidade) do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, a repulsa à homossexualidade pode ser consequência da falta de conhecimento. "Todos temos alguma dificuldade, maior ou menor, de lidar com o que é diferente de nós.  No caso da homossexualidade, algumas pessoas são realmente avessas e têm necessidade de se contrapor ao que desconhecem e, por isso temem e rejeitam", explica.

A psiquiatra também ressalta que muito se confunde sexo (que se refere a características anatômicas) e gênero (que define um padrão de comportamento com o que a pessoa se identifica). Abdo explica que sexo e gênero não são sinônimos, e que quem não consegue separar um do outro, também não lida bem com  a diversidade. Opinião semelhante tem o psicoterapeuta e professor da Professor na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) Sócrates Nolasco. "A questão é que o sexo não diz tudo sobre nós, mas acredita-se que dirá tudo sobre os homens fadados a fazer dele um sentido para suas vidas."

No livro "A Cama na Varanda", a psiquiatra e sexóloga Regina Navarro Lins aponta três hipóteses para definir os homofóbicos. "Para alguns isso estaria ligado à noção de que a homossexualidade está em ascensão e que, se não for refreada, poderá ameaçar a unidade familiar e a estrutura da sociedade como um todo. Outro motivo seria a convicção de que a maioria dos homossexuais não se controla sexualmente. Entretanto, é provável que a razão mais significativa da hostilidade dos homens heterossexuais seja o temor secreto dos próprios desejos homossexuais", analisa.

A crítica de Regina remete à pesquisa "Is Homophobia Associated with Homosexual Arousal?" (A homofobia é associada à excitação homossexual?), feita pela Universidade da Georgia (EUA), em 1996. O estudo reuniu 64 homens, com 20 anos em média, que se declaravam heterossexuais, divididos em dois grupos: "homofóbicos" e "não homofóbicos". As classificações foram definidas após uma entrevista que estabelecia o índice de homofobia.

No teste, os voluntários assistiram a três filmes pornográficos com cenas entre heterossexuais, gays masculinos e femininos. Todos vestiram um plestimógrafo peniano (argola de borracha recheada de mercúrio líquido), que registrou a excitação pelo crescimento do pênis. O resultado mostrou que o grupo "homofóbico" apresentou ereção significativa diante das cenas de sexo entre dois homens, o que comprovou a tese da psicologia dinâmica (que mapeia processos mentais) de que indivíduos homofóbicos podem ficar excitados diante de estímulos homossexuais.

"A pesquisa remete para a ideia de que a insegurança lança mão da violência para banir do sujeito a estranheza que sente em relação a si mesmo. Homofóbicos são pessoas que não foram alfabetizadas na própria língua, não sabem dizer-se. A violência serve para integrar o que está despedaçado dentro do sujeito, levando-o a temer a própria desintegração psíquica", analisa o professor Nolasco.

Regina também ressalta que o modelo patriarcal (que estabelece o poder do homem "macho" nas relações sociais), ainda presente na sociedade, reforça o preconceito contra homossexuais. "Ainda é muito forte a mentalidade de que os gays seriam 'traidores' do ideal masculino. E isso pauta um pensamento enquadrado em 'modelos', ou seja, em não aceitar as diferenças", explica Regina.

Por outro lado, a  psiquiatra Camita Abdo alerta que é arriscado e simplista afirmar que todo homofóbico seria na verdade um "gay enrustido". "Sem dúvida há  homofóbicos que inconscientemente temem a própria homossexualidade e por isso não a suportam no outro. Essa situação já foi descrita por Sigmund Freud, o criador da psicanálise, quando comentou a respeito do "verso/ reverso entre medo e desejo", comenta Abdo.
 
Os altos índices de violência contra gays também podem ser a constatação de que a ala preconceituosa se sente ameaçada e reage: atualmente, os gays se mostram mais e se apresentam socialmente, com menos disfarces. Está sendo superado o grande constrangimento de ser percebido como gay. "Já há algum tempo estamos assistindo a  uma 'transformação gay'... Houve época em que os homossexuais criavam seus espaços sociais e neles conviviam entre si, mas isolados da sociedade heterossexual. Hoje eles compartilham  lugares comuns com os não homossexuais. Essa realidade leva alguns homofóbicos a acreditarem que estão sendo invadidos em seu território", avalia Abdo.
 

A herança do nazismo

O ódio contra gays não é uma manifestação recente. Desde os tempos mais antigos, homossexuais já tinham algozes que rotulavam a homossexualidade: na Idade Média. como pecado; na Idade Moderna,  como crime; no final do século 18, a medicina adotou a concepção religiosa, que tratava a homossexualidade como 'doença'. E, ainda hoje, há quem defenda que a homossexualidade deve ser tratada como patologia.

Nos campos de concentração nazista, por exemplo, prisioneiros e soldados gays eram marcados com a letra A, que mais tarde foi substituída por um triângulo cor-de-rosa, para diferenciá-los. Os carrascos acreditavam que era possível curá-los. Os homens eram submetidos a procedimentos clínicos bizarros e cruéis, como a lobotomia - cirurgia que retirava parte do cérebro.

No campo de Flossenburg (Alemanha), nazistas abriram uma casa de prostituição para "livrar soldados doentes e pervertidos". Os gays que se "curavam" eram enviados para combater os russos. Mais tarde, o endocrinologista holandês Carl Vaernet passou a castrar seus "pacientes" do campo de Buchenwald, além de submetê-los a tratamentos com hormônios masculinos. Estimativas apontam que 55% dos soldados gays morreram por causa da ignorância nazista. E, mesmo depois do fim da guerra, as vítimas ficaram sob o poder de americanos e britânicos, que os obrigaram a cumprir o restante da pena sentenciada por nazistas em prisões normais.

Vítimas da homofobia

O tempo avançou, porém a causa gay ganhou outros vilões, com comportamentos de repulsa na política, na religião e nas ruas.

O estudante de Direito André Baliera, 28, ganhou os noticiários depois que foi agredido por dois rapazes na região de Pinheiros, em São Paulo (SP). Na noite de 3 dezembro de 2012, Baliera viveu o terror da "inquisição moderna" que ainda aterroriza gays. Enquanto voltava para casa a pé, o rapaz foi insultado e agredido pelo empresário Bruno Portieri e pelo personal trainer Diego Mosca. Depois da agressão, segundo conta, ainda teve que ouvir que "apanhou de besta" e ainda foi acusado de "revidar as agressões".

"Distorceram os fatos, disseram que eu joguei pedra, que quebrei o retrovisor do carro, que eu os xinguei, revidei as agressões, que não é possível 'adivinhar' que eu sou gay, que não foi homofobia, que foi uma 'mera discussão de trânsito'", critica Baliera.

Os agressores foram denunciados por tentativa de homicídio e enquadrados pela lei anti-homofobia de São Paulo (10948/01), que, em caso de condenação, prevê multa que varia de 1.000 Ufesp's (R$ 18 mil) a 3.000 Ufesp's (R$ 54 mil), segundo informações do UOL.

O jornalista Murilo Aguiar, 24, também viveu a experiência dolorosa de ser agredido por causa de sua orientação sexual. O caso aconteceu nas dependências do clube Yatch, na zona central de São Paulo. Murilo estava na fila do banheiro quando um funcionário da faxina passou a agredi-lo verbalmente, dizendo que "todo gay tem HIV" e, em seguida, o espancou. A ocorrência, que foi parar nas redes sociais, chamou a atenção de um dos sócios do clube, que fez contato com o advogado de Murilo para dar respaldo à vítima. Além disso, representantes da casa informaram que a empresa que prestava serviços de limpeza à boate foi acionada judicialmente, e o clube decidiu por não contratar mais mão de obra terceirizada.

André e Murilo escaparam com vida. Mas nem sempre esse é o desfecho das vítimas de homofobia. Até porque, segundo levantamento feito pelo Grupo Gay da Bahia, a maioria das agressões e assassinatos acontece com gays masculinos. Isto seria um forte indício de que a homossexualidade masculina ainda é mais repugnante para os homofóbicos. A resposta, segundo os especialistas, vem novamente embasada na questão dos modelos criados pela sociedade.


"As manifestações de afeto entre duas mulheres (beijos, trocas de carícias) fazem  parte do cotidiano em diversas culturas e não surpreendem, confirmando a maior aceitação da sociedade para com esse hábito", afirma Carmita Abdo. Para Regina Navarro, a cultura patriarcal novamente predomina em relação à repulsa à homossexualidade masculina. "A sociedade é muito fincada no ideal masculino, é por isso que até mesmo homens héteros, geralmente, só demonstram um gesto de afetividade mais ousado com um tapinha nas costas. Nada melhor para ilustrar a homofobia e a hipocrisia da sociedade em que vivemos - na qual a maioria das pessoas defende os direitos humanos - do que a frase de Leonardo Matlovich, soldado da Força Aérea Americana condecorado por sua atuação na Guerra do Vietnã e expulso da corporação em 1975 por homossexualidade: 'A Força Aérea me condecorou por matar dois homens no Vietnã e me expulsou por amar um'".

Quem a homofobia matou hoje?

O Grupo Gay da Bahia, a mais antiga entidade brasileira de defesa dos homossexuais no país, também faz militância no território virtual. Com ajuda de voluntários, a instituição reúne, quase que diariamente, ocorrências de violência contra gays no blog "Homofobia mata". Somente no mês de junho, o grupo relatou 28 casos. As estatísticas, segundo informaram militantes do GGB, são utilizadas inclusive por órgãos de defesa dos direitos humanos nos Estados Unidos.

De acordo a instituição baiana, em 2012, 44% dos crimes contra gays no mundo aconteceram no Brasil. "O país é o campeão mundial de assassinatos de homossexuais. Mais de uma centena são barbaramente assassinados todos os anos, vítimas da homofobia. Após quase três décadas coletando, sistematizando e divulgando o relatório anual destes cruéis assassinatos, consideramos ser necessário a conjugação de pelo menos três estratégias fundamentais e inadiáveis para erradicar os crimes homofóbicos em nosso país", diz o fundador do GGB, Luiz Mott.

Para Mott, é questão de urgência a mudança de mentalidade da sociedade em geral, sobretudo das novas gerações, a fim de que, por meio da educação sexual, a sociedade aprenda a conviver e respeitar a diversidade sexual e de gênero, desenvolvendo sentimentos de tolerância e respeito face aos grupos diferenciados. Além disso, o antropólogo faz uma crítica aos governantes:

"O governo deve ser empenhar em aprovar leis e promover ações afirmativas que garantam a cidadania plena das minorias sexuais, investigando cientificamente as causas e como superar a homofobia cultural dominante em nosso país, punindo exemplarmente os autores de discriminações e crimes homofóbicos", diz Mott, que também classifica como imprescindível a mobilização dos próprios gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais, assumindo-se e afirmando sua identidade, evitando situações de risco e denunciando qualquer tipo de discriminação, ameaça ou violência de que forem vítimas.


Aliás, o famoso "sair do armário" é uma das atitudes mais importantes para consolidar os avanços de tolerância, segundo a psiquiatra Carmita Abdo. "Quando o homossexual se camufla, ele acirra a curiosidade e a desconfiança do outro. A partir do momento em que ele se apresenta e se afirma naturalmente, ele pode mobilizar empatia e fortalecer sua inserção social", explica Abdo, que também ressalta a importância da atuação da família de homossexuais na causa gay: "Os pais dos homossexuais devem ser os primeiros e os principais interessados em trabalhar contra esse preconceito que, muitas vezes, infelizmente começa em casa".